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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Moysés Westphalen, um grande positivista

Por Cézar Westphalen

Moyses Westphalen, lutou bravamente até os últimos dias de sua vida. Na universidade estabeleceu Ecologia como disciplina acadêmica e fez profundas evoluções no ensino da Química agrícola. Ele criou o Projeto Ecológico Águas doces – Lagoa Mirim e Lagoa dos Patos. Autorizado pela SPI, fiscalizou as usurpações nas terras dos índios e a intromissão nas civilizações fetichistas. Fez denúncias públicas pelo jornal Correio do Povo até os últimos dias de vida. Traduziu marteriais inéditos e raríssimos até mesmo na França, referentes a doutrina Fetichista – dois volumes. . Indignava-se com a intromissão tirana do homem branco na unidade social fetichista. Através do estudo minucioso sobre a teoria científica do fetichismo, e da sociologia positiva, somado com a observação empírica que apanhou durante o convívio com os índios desde a infância , transformou-o no maior especialista do Brasil referente a mentalidade indígena. Foi convidado por Paulo Melro, chefe da SUDESUL, em 1971, para reorganizar as diretrizes do Estatuto do Índio. Ele traduziu materiais inéditos referentes à Teoria Fetichista de Augunto Comte. Segundo Carlos Torres Gonçalves, chefe da Comissão de Terras do governo Júlio de Castilhos, junto com meu bisavô, deixou esse registro:
_" Só o Moisés conhece "cabeça de índio". É o maior conhecedor da doutrina fetichista. Ele sabe explicar o índio e interpretar sua alma. Coloca-se no lugar do indígena – para saber pensar como ele: é o único homem capaz de compreendê-lo plenamente. É o único capaz de instituir quais são suas reais necessidades."
Meu avô foi o último religioso positivista do Rio Grande do Sul. Foi guardião da capela positivista até seus últimos dias, todos os domingos. Depois ia para a primeira cidade da humanidade – o cemitério, demonstrar sua veneração aos mortos a ao processo de civilização. Esse elo subjetivo que permite a continuidade social. Todos citados também eram. Tinham encontros semanais e registros nos anais da capela. Sobre os mortos e a unidade social, cito as palavras de meu avo, que faleceu em 1997.
"A intervenção direta do indivíduo desaparece com a morte, mas a memória dos feitos, opiniões e sentimentos, prolonga a sua existência subjetiva, assegurando o progresso social. Assim se transmitem através das gerações as conquistas úteis e convergentes, morais intelectuais e práticas, alcançadas no passado e no presente, e se estabelece a continuidade social. Este elo subjetivo liga os indivíduos as gerações seguintes e permite conceber a Humanidade como Ente Supremo, perceptível e eterno, representado pelos principais seres humanos convergentes, que constantemente nos melhora, guia e sustenta."
"Em qualquer estágio de civilização, a existência humana consiste sempre no estado de plena harmonia social. A solidariedade social funda-se nos laços afetivos das famílias afins, sob o princípio da cooperação. Os sentimentos, pensamentos e atos convergentes instituem a unidade social e em tal preponderância, que não há unidade pessoal sem unidade social. O progresso humano corresponde ao aperfeiçoamento de nossa unidade. Assim, a unidade humana só pode ser conhecida através de um suficiente exercício coletivo. O sentimento é o motor supremo da existência humana. Sob, inspirações dos sentimentos, desenvolvemos a atividade e a inteligência, que, por sua vez, provocam reações afetivas, o aperfeiçoamento moral. O amor, é assim, o princípio e o destino do desenvolvimento humano. A inteligência deve assessorar a atividade para servir o sentimento."

4 comentários:

  1. Que grande perda para todos nós, meu amado filho!
    Tinhas qualificação de sobra para zelar e guardar a Capela,cujo futuro tanto preocupava seu avô Moysés Westphalen. Consigo imaginá-lo rodeado pelos clássicos ,de autores que colaboraram com a humanidade,e com a obra do Mestre Augusto Comte, a quem ele tanto admirava. Certamente, estudioso,e com lógica e percepção afinada , adaptaria o pensamento comteano a sua profissão, continuando sua linha de pensamento. Lembro-me de nossas conversas, quando ele imaginava o espanto que teria Comte , se pudesse ter conhecimento do caminho que tomou a humanidade.Explicava-me sobre a utopia, e de seu desenvolvimento através dos séculos, quando tornava-se realidade.Só eu, sua mãe, sei avaliar a sua enorme valor,, era comigo que ele conversava sobre esses assuntos, pois em sua humildade, imaginava que o considerariam presunçoso se expusesse suas idéias.
    Seus professores o elogiavam , sempre que eu os contatava. Falavam-me sempre de sua grande capacidade e discernimento e pediam que eu o incentivasse,pois ele não tinha noção de sua grande capacidade.
    A saudade aperta dia a dia, desde seu prematuro falecimento, dia 21 de março de 2013, aos 36 anos. César nasceu em 16 de dezembro de 1976, em Cruz Alta, pelas mãos de seu tio Dante Westphalen, no Hospital Santa Lúcia., às 9h15min. Filho de Rosa Inês Barros Westphalen e Antonio Westphalen, irmão de Ana Lúcia,era neto de Moysés Westphalen e bisneto de Frederico Westphalen, ambos positivistas.
    Lembrarei sempre de de meu filho, César , carinhoso e altruísta ao extremo, desde menino. Escrevia lindas poesias,quase todas de cunho social. Era ótimo letrista, embora não as divulgasse.
    Que grande perda para todos nós, meu amado filho!
    .A saudades aperta dia a dia desde que nos deixaste dia 21 de março de 2013. Lembrarei de meu filho, César Westphalen, carinhoso e altruísta ao extremo,de um coração tão cheio de bondade , que descuidou-se de si, de sua saúde, sempre com o olhar cuidadoso no outro, Meu amado, foste uma grande promessa na profissão que escolheste, , serias um grande advogado, cheio de boas intenções para reformas sociais, preocupava-se com melhoria do sistema prisional, com os povos indígenas, por quem lutou seu avô durante toda sua vida útil, e com os moradores de rua, entre outras minorias. Apesar do pouco tempo entre nós, cumpriu com o essencial,deixou seu exemplo de dedicação e bondade.Foi um grande homem." Não há prazer maior que o da dedicação", repetia essa máxima positivista,, quando eu, preocupava-me com ele , pedindo para que deixasse o problema alheio e cuidasse de si. Uma pneumonia rouba o resto de seus anos, e deixa essa enorme dor em minha alma.
    Foi uma grande felicidade termos convivido com esse ser humano de primeira grandeza, embora por pouco tempo.
    Obrigada meu anjo!

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