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HOMENAGEM À JULIO DE CASTILHOS

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terça-feira, 10 de abril de 2012

AFORISMAS SOCIOLÓGICOS V

MITOS DIFUNDIDOS PELA IGREJA CATÓLICA, NO BRASIL E NO MUNDO

Por Gustavo Biscaia de Lacerda

§ 1º – Defesa da laicidade do Estado

Ao contrário do que muitas vezes afirma, a igreja católica simplesmente não defende a laicidade do Estado, seja em termos teóricos, seja em termos práticos. Em termos teóricos, a laicidade do Estado consiste em um indiferentismo do Estado face à religião, o que, por um lado, põe a igreja em uma situação social e politicamente secundária; por outro lado, esse indiferentismo permite que se constitua um pluralismo social e religioso que é visto como (e de fato é) daninho para a igreja, pois permite o crescimento de outras religiões, outras crenças e, de qualquer maneira, permite o exercício da dúvida e da crítica.

Em termos práticos a igreja nunca aceitou a laicidade; seu universalismo exige que ela veja-se como uma força total e que se imponha a todos. Como o Estado brasileiro constituiu-se tendo a igreja ao seu lado, ela estava junto ao poder; durante o Império, as reclamações da igreja dirigiam-se não em favor da laicidade, mas em benefício da maior autonomia da igreja. Quando a República foi proclamada, os privilégios eclesiásticos oficiais foram revogados, o que, evidentemente, foi visto como o fim do mundo para a igreja: ela insistia na idéia de junção com o Estado, mas desde que subsidiada por ele e politicamente superior ao poder civil.

Era a idéia da “autonomia sem independência”: a igreja manteria o monopólio religioso e privilégios oficiais; teria o controle dos registros de nascimentos, casamentos, óbitos, enterros e o controle dos cemitérios, além de ser a responsável pelas escolas públicas e privadas; seria a fiscal oficial ou para-oficial dos atos do governo, além a responsável pela moral da sociedade. Tudo isso devidamente pago pelo Estado. Nada disso é invenção ou exagero: é possível conferir todas essas informações (e interpretações) no livro do padre José Scampini (1978)[1].

Como durante a I República (1889-1930) a laicidade vigeu – mesmo que com grandes problemas –, desde 1916 a igreja organizou-se para retomar o poder, conseguindo-o em 1930 e 1931, quando, com a mudança de regime político, o segundo cardeal do Brasil (e da América Latina), Sebastião Leme, simplesmente chantageou Getúlio Vargas, como se vê neste trecho simplesmente brutal: “ou o Estado [...] reconhece o deus do povo ou o povo não reconhecerá o Estado” (cf. DELLA CAVA, 1975, p. 15).

A retomada do Estado, via “recatolicização”, evidentemente surtiu efeito; a idéia de que são “tradicionais” as presenças de crucifixos e/ou Bíblias em órgãos públicos e que, dessa forma, a ostentação desses símbolos não ofende a laicidade do Estado é um claro sinal disso.

Mais recentemente, face à exigência de respeito à laicidade do Estado e ao pluralismo religioso e filosófico, quando confrontada com casos extremos de desrespeito a esse pluralismo no ambiente escolar (REAÇÃO DE ALUNO ATEU, 2012), o máximo que a igreja faz é afirmar que “as escolas não podem impor o Pai-Nosso” (CNBB AFIRMA QUE ESCOLAS, 2012). Isso, claro está, é muito diferente de comprometer-se com a laicidade do Estado.

Todo esse comportamento torna-se chocante quando representantes da CNBB dizem o contrário em eventos oficiais – em particular na audiência pública realizada em 2010, pelo STF, para tratar, justamente, da laicidade do Estado. Na ocasião, o representante da igreja afirmou que ela (a igreja) sempre respeitou a laicidade, tendo fundamentos teóricos e históricos para tanto. (A longa existência da igreja e a multiplicidade de textos da Bíblia, tão freqüentemente contraditórios entre si, permitem que citações sejam expostas de maneira adequada conforme a ocasião. A formulação básica, sem dúvida, é a de que “a César o que é César, a deus o que é de deus”, citada nos evangelhos; em seguida, há os textos de João Crisóstomo, o primeiro doutor da igreja que sistematizou a separação entre os dois poderes, entre os séculos V e VI.) Ora, é difícil sustentar qualquer respeito teórico e prático à laicidade e ao pluralismo religioso e filosófico quando se estuda com um mínimo de cuidado a história do Ocidente e do Brasil.

Fica a pergunta: a CNBB, ao afirmar perante o STF o respeito à laicidade, está sendo ingênua, ignorante ou hipócrita?

§ 2º – Origem cristã da civilização ocidental

Recentemente, o bispo de Criciúma, Jacinto Inácio Flach, afirmou que “o Ocidente surgiu baseado no cristianismo” (cf. TIRAR CRUCIFIXO DOS TRIBUNAIS É ATO ‘DE QUEM NÃO É DO BEM’, 2012)[2]. Essa afirmação curiosamente faz um apelo à história para uma religião que rejeita a história, especialmente a sua própria. O Ocidente, sem dúvida alguma, deve muito de si ao catolicismo: foi a religião que criou os laços entre os povos de outra maneira separados durante a Idade Média. Entretanto, atribuir ao catolicismo esse imenso poder sociogênico é um exagero de proporções monumentais.

Antes de mais nada, o Ocidente surgiu a partir das civilizações mediterrâneas, na região da Ásia Menor. A principal delas, para o Ocidente, foi sem dúvida a civilização helênica, que habitava na região da Grécia, das ilhas circunvizinhas e das costas ao redor (incluindo a Ásia Menor – onde nasceu Aristóteles – e a Itália – onde trabalharam e escreveram suas obras Pitágoras e mesmo Platão). Os gregos, como se sabe – ou melhor, como se deveria saber – foram os iniciadores da filosofia, isto é, da reflexão sistemática sobre a realidade, tendo também fundado a ciência abstrata.

Como os gregos eram profundamente xenófobos e não conseguiam pensar em termos políticos superiores à cidade-Estado, esgotaram suas energias em guerras intestinas, de que a mais famosa foi a Guerra do Peloponeso. Alexandre Magno, em seguida, difundiu a cultura grega pela Ásia, mas o seu império não sobreviveu à sua morte.

Felizmente para a Humanidade, os romanos não eram xenófobos como os gregos e souberam criar um império que durou. Mais do que isso: mais preocupados com questões práticas que com debates acadêmicos, os romanos aceitaram todas as inovações que julgaram úteis, incorporando as culturas de outros povos: em particular, a partir do século II da era corrente, já na fase propriamente imperial, com o expansionismo encerrado, os romanos preocuparam-se mais em estimular e difundir a cultura grega[3].

Pois bem: o que o bispo Flech chama de “cristianismo” é uma construção religiosa feita por um judeu que tinha cidadania romana e educação grega – no caso, Paulo de Tarso. A cidadania romana permitia a Paulo circular pelo império com tranqüilidade, saindo do gueto auto-imposto pelos judeus na Palestina; a cultura grega permitiu que as crenças bairristas dos judeus fossem convertidas em mitos universais, ou melhor, universalmente assimiláveis. Não se pode diminuir a importância da ação daquele que, merecidamente e não por acaso, foi chamado de “apóstolo dos gentios”: se a crença dos cristãos ficasse nas mãos dos apóstolos e discípulos diretos, seria uma seita de fanáticos e irridentistas como muitas outras que havia na época (e que só acabaram com a destruição do segundo Templo de Salomão, na década de 70 da era corrente).

Mas é necessário entender que o passo fundamental para o “Ocidente ter-se baseado no cristianismo” não teve relação alguma com os méritos intrínsecos, intelectuais ou morais, do cristianismo, mas vincula-se a algo que deve ser chamado mais propriamente de golpe político dado pelos imperadores romanos – em particular, Constantino e Teodósio, que respectivamente descriminalizou a antiga religião de escravos e que a tornou a religião oficial do Império[4]. Assim, foi graças à estrutura política de Roma – em outras palavras, porque se aproveitou do Estado – que o cristianismo pôde realmente se difundir, não apenas na Europa, no final da Antigüidade e no início da Idade Média, mas pelo mundo inteiro, já na Idade Moderna, com as grandes navegações.

Isso está bem longe de ser tudo. O “Ocidente” são as populações européias e suas ramificações, especialmente nas Américas e na Oceania. Além disso, e especialmente, o Ocidente é a cultura ocidental. Não apenas o catolicismo desde o seu início foi fortemente marcado por elementos gregos e politeístas[5] – na verdade, todos os doutores da patrística eram profundos conhecedores da filosofia grega e incorporaram ou adaptaram o pensamento grego para a religião cristã –, como, após o surgimento do Islamismo e da tomada da Península Ibérica, a difusão do pensamento árabe permitiu que vários antigos pensadores gregos fossem recuperados. Esses pensadores recuperados tinham sido perdidos devido a vários motivos: guerras, invasões bárbaras, declínio político; mas um forte elemento para essa perda foi o desprezo cristão pelos seus pais espirituais.

Os árabes, assim, permitiram a reintrodução no Ocidente dos gregos, especialmente de Aristóteles: como o racionalismo aristotélico é muito mais poderoso que a fé cristã, a igreja viu-se obrigada a lidar com isso, assumindo essa responsabilidade Tomás de Aquino.

Indo mais adiante, importa lembrar com muita clareza que o Ocidente não se constituiu e não se constitui somente na Idade Média: na verdade, foi a partir do término dela, com os movimentos que conduziram à Idade Moderna que se iniciou o que se chama atualmente de “Ocidente”. Pois bem: os movimentos intelectuais e morais que se desenvolveram e desenvolvem-se desde essa época são, cada vez mais, realizados fora e contra a igreja, ou melhor, fora e contra a religião. Basta pensar-se na ciência; nas artes; no Estado; na consolidação das liberdades civis: todos esses movimentos são feitos a despeito da igreja e a despeito da religião, quando não contra uma e outra.

O bispo Flach, portanto, está totalmente incorreto ao afirmar que o Ocidente tem uma “origem” cristã. A sua observação “histórica” na verdade ignora e distorce a história; a única história que lhe interessa é da sua própria igreja – e, bem vistas as coisas, para ele a sua igreja consiste no início e no fim de toda a história humana[6].

Mas, mesmo que o sr. Flach estivesse correto em termos históricos, ainda assim seu raciocínio seria errado, ou melhor, falacioso. Ele argumenta que, por supostamente o Ocidente ter uma origem cristã, ele deveria permanecer sendo cristão. Isso equivale a dizer que devemos sempre, por puro hábito, por puro tradicionalismo – por pura fé – manter hábitos que tivemos muito tempo atrás, mesmo que esses hábitos não se mantenham mais ou não se justifiquem mais. Esse tradicionalismo é o mesmo que justificaria, por exemplo, a permanência da escravidão: afinal de contas, de 1530 a 1888, o Brasil foi construído em cima do trabalho servil (justificado, aliás, pela igreja). Ou que não devemos usar automóveis (ou bicicletas) porque durante milhares de anos os seres humanos andaram a pé, de carroça ou a cavalo. Em outras palavras, é o apego mais completamente irracional ao passado – apenas porque é “passado” e “tradicional”.

§ 3º – Obrigatoriedade de professar o catolicismo em uma universidade católica

As universidades católicas são instituições particulares de ensino e, nesse sentido, são livres para professar as doutrinas que quiserem. Embora a igreja católica não respeite a laicidade do Estado, certamente se beneficia dos dispositivos legais que lhe concedem essa liberdade – e, na verdade, faz questão de tais dispositivos (embora procure cercear essas liberdades para os demais – no que é imitada por inúmeras outras igrejas).

Nesse sentido, a recente afirmação de Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo emérito de Guarulhos e sacerdote arquiconservador – segundo a qual quem não concorda com os valores professados pela igreja católica não deve reclamar deles no interior de uma universidade católica – faz todo o sentido (PROFESSOR DA PUC DEVE RESPEITAR, 2012). Da mesma forma, é difícil sustentar a contra-argumentação da presidente da Associação de Professores da PUC-SP, Maria B. Costa Abramides, segundo a qual é possível expor opiniões contrárias à igreja católica na PUC-SP porque essa universidade deveria ser laica (PROFESSOR DA PUC-SP DEVE SEGUIR, 2012) – por definição, a PUC não é e não precisa ser laica.

Dito isso, convém refletirmos com um pouco mais de cuidado sobre esse pequeno debate, pois ele apresenta elementos mais profundos e mais problemáticos que a mera afirmação do caráter confessional da PUC: ele diz respeito, por um lado, à história do Brasil e ao projeto de poder que explicitamente a igreja católica busca implementar desde 1916 e, por outro lado, à chamada “concepção de universidade”, que se refere, por sua vez, aos conceitos de ciência e de religião (ou melhor, de teologia).

Iniciemos pela história das PUCs. Essas universidades, a começar pela do Rio de Janeiro, foram fundadas no Brasil a partir da década de 1940 com o objetivo explícito de formarem quadros técnicos, mas acima de tudo culturais e políticos, para que a igreja católica mantivesse o controle do Estado, especialmente a partir da posse do capital simbólico obtido com o diploma universitário. Nesse sentido, importava muito menos o seu aspecto científico, isto é, de preocupação com a pesquisa científica que o seu aspecto doutrinário, ou melhor, proselitista. Essa forma de pensar, própria do projeto da neocristandade proposta por Sebastião Leme e levado a cabo exemplarmente pelos leigos Jackson Figueiredo e Alceu Amoroso Lima, constituiu-se em um padrão, verificado em todo o país[7].

Dessa forma, as PUCs sem dúvida eram em sua origem “católicas” e “pontifícias”, mas a palavra “universidade” é mais problemática de aceitar, haja vista sua preocupação precípua com a propaganda e o proselitismo – elementos claramente presentes até hoje, embora bastante minorados.

Por outro lado, cumpre notar que o que são, hoje, as universidades. Afirma-se correntemente que são instituições baseadas no ensino, na pesquisa e na extensão, ou seja, na transmissão do conhecimento técnico, científico e cultural; na produção e no avanço de novos conhecimentos; na aplicação mais imediata desses conhecimentos junto à sociedade. Um centro de divulgação e doutrinação pode, perfeitamente, realizar as atividades de ensino e de extensão: já a pesquisa requer um pouco mais. Ou melhor: um centro de divulgação pode ensinar e fazer extensão, mas somente em princípio.

O que ocorre é que a “pesquisa” refere-se à pesquisa científica. A ciência atua com base na formulação de hipóteses, na verificação, na correção, na contestação e na crítica públicas; ela é relativa, ao passo que a teologia é absoluta, ou seja, indiscutível, impassível de crítica. Os pós-modernos e muitos dos sociólogos da ciência podem contra-argumentar e negar essas definições, afirmando que a ciência é um conhecimento como “outro qualquer”, mas o fato é que, por um lado, esses mesmos pós-modernos e sociólogos da ciência desejam (ou pretendem) fazer “ciência”; por outro lado, eles beneficiam-se enormemente dos frutos da ciência e não das “outras” formas de conhecimento. Os frutos da ciência não são apenas tecnológicos (como o computador em que escrevo este texto, ou a internet em que o texto aparece ); são também frutos intelectuais – a concepção de que a realidade é submetida a leis naturais e que, mesmo que entidades sobrenaturais existam, os seres humanos vivem e agem sem a menor necessidade delas – e também frutos políticos: foi a ciência, com seu mecanismo de crítica política e dúvida sistemática, que permitiu o pluralismo político e as liberdades de que gozamos atualmente[8].

O resultado é, embora a PUC-SP e todas as demais PUCs e universidades (e faculdades) católicas (e confessionais) do Brasil, embora possam ter sido criadas com o fito prioritário de fazerem proselitismo e de afirmarem política e culturalmente a hegemonia do catolicismo no país, são instituições que devem ensinar com base nos parâmetros da ciência[9]. E são precisamente esses parâmetros que se opõem aos valores básicos de suas instituições.

Pode-se pensar que esses conflitos entre a fé proselitista e a ciência baseada na crítica pública e sistemática surgem com maior freqüência nos cursos das Ciências Humanas; talvez seja assim, de fato. Mas nas Ciências Naturais isso não é menos verdade. Os conflitos ocorrem tanto no ensino quanto na pesquisa: o que fazer caso um biólogo ou um médico ou um veterinário queira investigar as células-tronco embrionárias em uma PUC? Será ele proibido, devido aos valores morais da igreja? Ou em um curso de Geologia ou de Física: segundo alguns teólogos, a Terra (bem como o Universo) não teria muito mais que seis mil anos, o que é evidentemente errado para qualquer pesquisador que já tenha estudado as formações geológicas do planeta ou as radiações cosmológicas de fundo. E quando for para ministrar a famosa disciplina de “Método Científico”? Uma das afirmações fundamentais nessa disciplina é constatar, ou lembrar, que a ciência é aberta e que por isso avança, ao passo que a religião é fechada e que se baseia em última análise na pura crença (por mais irracional e absurda que seja).

E quando os estudantes das PUCs tiverem que fazer extensão universitária, como será? Os estudantes dos cursos da área de Saúde que tiverem que tratar das doenças sexualmente transmissíveis, como deverão conversar? Deverão dizer que sexo é pecado e que não se deve usar, nunca, preservativos? Que o homossexualismo é pecado e manifestação do diabo? Que um alcoólatra não é uma pessoa frágil, fragilizada e dependente psicoquímica mas, na verdade, é um ser possuído pelo demônio?

Em suma, o problema a respeito da crítica do arquiconservador Luiz Gonzaga Bergonzini à liberdade de pensamento na PUC-SP não é que deve haver “liberdade de pensamento” ou “laicidade” na PUC: o problema é que a religião e a igreja católica, bem como as teologias de modo geral, são contrárias à liberdade de pensamento e à laicidade. O problema, então, é que a idéia de uma “universidade católica” é um oximoro, ou seja, uma profunda contradição em termos.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEGA, M. T. S. 2006. Gênese das Ciências Sociais no Paraná. In: OLIVEIRA, M. (org.). As Ciências Sociais no Paraná. Curitiba: Protexto.

DELLA CAVA, R. 1975. Igreja e Estado no Brasil no Brasil do século XX: sete monografias recentes sobre o catolicismo brasileiro, 1916-1964. Novos Estudos, São Paulo, n. , p. 5-52. Disponível em: http://www.cebrap.org.br/v2/files/upload/biblioteca_virtual/igreja_e_estado_no_brasil.pdf. Acesso em: 8.abr.2012.

LACERDA, G. B. 2007. Comemoração de Trajano. Disponível em: http://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com.br/2007/01/comemorao-de-trajano.html. Acesso em: 8.abr.2012.

SCAMPINI, J. 1978. A liberdade religiosa nas constituições brasileiras. Petrópolis: Vozes.

Outras fontes

CNBB afirma que escolas não podem impor o pai-nosso aos alunos. 2012. 4.abr. Disponível em: http://www.paulopes.com.br/2012/04/cnbb-afirma-que-escolas-nao-podem-impor.html. Acesso em: 8.abr.2012.

Jesus é uma aglutinação de mitos que simboliza Deus e Satanás. 2011. 28.maio. Disponível em: http://www.paulopes.com.br/2011/05/jesus-e-uma-aglutinacao-de-mitos-que.html. Acesso em: 8.abr.2012.

Professor da PUC deve respeitar doutrinas da Igreja, afirma bispo. 2012. O Estado de S. Paulo, 13.mar. Disponível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81530. Acesso em: 8.abr.2012.

Professor da PUC-SP deve seguir dogmas da Igreja, defende bispo. 2012. Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/507429-professordapucdeveseguirdogmasdaigrejadefendebispo. Acesso em: 8.abr.2012.

Reação de aluno ateu a bullying acaba com pai-nosso na escola. 2012. 3.abr. Disponível em: http://www.paulopes.com.br/2012/04/reacao-de-aluno-ateu-bullying-acaba-com.html. Acesso em: 8.abr.2012.

Tirar crucifixo dos tribunais é ato ‘de quem não é do bem’, diz bispo. 2012. 4.abr. Disponível em: http://www.paulopes.com.br/2012/04/tirar-crucifixo-dos-tribunais-e-ato-de.html. Acesso em: 8.abr.2012.


[1] Convém notar que esse livro é um tratado de Direito Canônico, favorável à igreja católica; assim, ele adota uma postura de defesa da igreja e de seus interesses.

[2] Esse preconceito que atribui a quem defende a laicidade a falta caráter ou de moralidade foi feita como justificativa para a manutenção de crucifixos em espaços públicos brasileiros, ou seja, para o desrespeito à laicidade do Estado. Curiosamente, o sr. Flach esquece-se de que a laicidade também é um fruto e um elemento fundante do Ocidente.

[3] Ainda assim, pelo menos desde o século I antes da era corrente os políticos romanos já iam à Grécia para educarem-se: um claro exemplo disso é o de Cícero, que estudou filosofia em Atenas.

[4] Convém lembrar que as crenças dos cristãos – centrados no desprezo à vida e à realidade presente – eram vistas com horror e desprezo pelos romanos mais instruídos (cf. LACERDA, 2007). Apenas devido ao avanço do misticismo oriental na elite e do crescente peso político do cristianismo na base demográfica do Império – não por acaso, na fase de decadência do Império – que Teodósio e Constantino agiram como agiram.

[5] Há outros elementos do cristianismo que derivaram do politeísmo. Um exemplo simples: o natal é comemorado em 25 de dezembro devido à comemoração politeísta do solstício de inverno, em particular da festa da Saturnália. Uma exposição rápida da idéia de Cristo – e, daí, do cristianismo – como amálgama dos politeísmos anteriores pode ser vista em Jesus é uma aglutinação de mitos (2011).

[6] Não é isso, afinal de contas, que afirma a Bíblia (bem como a Torá e o Alcorão)?

[7] No caso do Paraná, por exemplo, a preocupação com o proselitismo era tão evidente que o curso de Ciências Sociais, fundado em 1938 na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Paraná por irmãos maristas, teve até 1950, ano da federalização, apenas cerca de 20 alunos e três ou quatro professores permanentes (sendo que tais professores, evidentemente, foram selecionados não por suas competências técnico-científicas, mas por seus comprometimentos com o projeto político católico). Após a incorporação da Faculdade à Universidade do Paraná e subseqüente federalização, com a perda do monopólio – e do controle – sobre o currículo, os leigos católicos criaram na PUC-PR um outro curso de Ciências Sociais (cf. BEGA, 2006).

[8] Como argumentava Augusto Comte, não é por acaso que filosofias absolutas tendem a ligar-se a regimes políticos autoritários.

[9] Essa afirmação não é válida somente em termos sociológicos gerais, ou seja, tais instituições não devem ensinar com base na ciência apenas porque a ciência é a forma de conhecimento socialmente mais difundida atualmente: há também fortíssimos constrangimentos jurídicos que as obrigam a isso – em particular, a fiscalização do Ministério da Educação e das agências de fomento à pesquisa.

quarta-feira, 14 de março de 2012

LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA ou DE LIVRE EXAME? por Ângelo Torres

A afirmação de Augusto Comte de que NÃO HÁ LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA em astronomia, em física, etc., causou um choque. E alguns enganos.
A frase foi escrita em 1822 no Opúsculo intitulado “Plano de Trabalhos Científicos Necessários para Reorganizar a Sociedade” e repetida no Curso de Filosofia Positiva. Dizia que:
“Não há liberdade de consciência em astronomia, física, química, biologia...”
A afirmação se referia à liberdade de exame. LIBERDADE DE EXAME.
Miguel Lemos chegou a escrever uma carta a um bispo católico afirmando que o Positivismo, como o Catolicismo, também era contra a LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA. Foi um engano. Grave engano. A filosofia de Comte e sua Sociologia sempre afirmou a necessidade de amplas liberdades na era moderna, na nova civilização de ciência, indústria e paz.
Essa carta foi publicada num folheto da Igreja Positivista do Brasil, impressa em sua própria tipografia nos porões do Templo de Lemos. Notar que Teixeira Mendes, vice-diretor da IPB não discordou de seu chefe.
Muitos anos depois, o professor francês Paul Arbousse-Bastide repetiu o engano. E afirmou em seu livro sobre o sistema de educação em Augusto Comte que ele afirmara não haver LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA na ciência. E ainda escreveu que essa estranha afirmação do filósofo não foi corrigida ou negada em nenhuma outra ocasião em seus escritos.
Mas M. Lemos e prof. Paul não viram no Cours de Philosophie nem na condensação de Miss Martineau que Comte reconheceu o CHOQUE que sua incoerente afirmação totalitária causou. Foi o uso de palavras que contrariava todo o seu constante e insistente LIBERALISMO, registrado claramente em suas obras.
No caso de Miguel Lemos o engano é muito grave, já que ele se colocou como o único chefe do Positivismo no Brasil. O ministro Ivan Lins em sua História do Positivismo diz que Miguel se considerava como tendo o privilégio e a patente de ser o único conhecedor da filosofia positiva no país.
O que faz lembrar que Seu Lemos publicou a uma crítica a Júlio Prates de Castilhos, jurista e estadista gaúcho, quando Castilhos recomendou que se LESSE AUGUSTO COMTE DIRETAMENTE EM SEUS TEXTOS ORIGINAIS. Lemos disse que Castilhos deveria recomendar os próprios escritos e traduções de Lemos editadas pela Igreja do Rio de Janeiro chefiada por ele.
ONDE LER O CHOQUE DA NEGAÇÃO DA LIBERDADE
E AS EXPLICAÇÕES DE COMTE
Ver na condensação do Cours de Filosofia de Miss Martineau, tradução de Ch. Avezac-Lavigne, 2ª edição, Paris:Bahl, 1895, no segundo volume:
1). na página 14 da condensação - já usa o nome de LIVRE EXAME; na p. 15 fala do CHOQUE de sua apreciação sobre o dogma revolucionário a respeito da liberdade de exame.
Esse texto está no Cours de Philosophie vol. 4-p. 47; e no vol. 5 p. 643 mostrando que a liberdade de exame já havia dois séculos antes de Lutero.
2). na página . 548 da condensação. Esse texto está no Cours no vol.6 de pp. 565 a 568.
Estas são as anotações feitas nas leituras dos textos originais de Augusto Comte.
Coopere. Confira. Não aceite sem verificar. Pode tudo ou parte estar errado!
Porque é importante conhecer esses dados sobre a IPB?
Para seguir os conselhos dados pela direção do movimento. Ou, ao contrário não os aceitar.E também para perceber como nós chegamos ao desastre a que hoje assistimos com a auto-destruição ou implosão da grande obra dos positivistas no Brasil. E também como a verdadeira república sem corrupção e com amplas liberdades recomendada por Augusto Comte no Sistema de Política Positiva. E o Brasil voltou a ter a mesma grande corrupção do parlamentarismo do Império no governo de Pedro II.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Texto de Arthur Virmond de Lacerda

O Positivismo é a doutrina criada no século 19, na França, por Augusto Comte, em suas duas obras principais, o Sistema de Filosofia Positiva e o Sistema de Política Positiva.





A filosofia positiva ou positivismo corresponde a uma forma de entendimento do mundo, do homem e das coisas em geral: ele entende que os fenômenos da natureza acham-se submetidos a leis naturais, que a observação descobre, que a ciência organiza e que a tecnologia permite aplicar, preferencialmente em benefício do ser humano. As leis naturais existem nas várias categorias de fenômenos, que Augusto Comte distinguiu em sete: há fenômenos matemáticos, astronômicos, físicos, químicos, biológicos, sociais e psicológicos.





Estas categorias envolvem a totalidade dos fenômenos, que o Positivismo reconhece como, todos eles, achando-se submetidos a leis naturais.





O Positivismo considera que, quanto ao entendimento dos fenômenos, quanto à forma de explicar o mundo, o progresso da humanidade consistiu em partir-se da concepção teológica e chegar-se à filosofia positiva.





Concepção teológica é a explicação do mundo e de tudo quanto nele existe, com base em um ser sobrenatural, divino, em uma palavra, com base em deus.





Filosofia positiva é aquela que entende o mundo reconhecendo a existência de leis inerentes à natureza, que o homem pode conhecer e empregar a seu próprio serviço.





Na concepção teológica admite-se a existência de deus, que, embora imaginada, jamais é observada. O ser sobrenatural é inverificável, acha-se fora da experiência. Ele pode ser pensado, porém jamais comprovado.





Na filosofia positiva, as leis naturais são descobertas pela observação dos acontecimentos, comprovadas pela experiência e organizadas pela ciência. À medida em que avança o conhecimento científico, mais e mais fenômenos, dantes explicados como resultados da ação divina, passam a ser explicados a partir de uma lei natural. E mais: passam a submeter-se ao controle humano.





Estas duas formas de filosofar são radicalmente inconciliáveis: quanto mais avança a ciência, tanto mais recua a idéia de deus. A positividade invalida a teologia.





Disto, o Positivismo conclui que é preciso renovar a política e a moral.





Em moral, ao invés de, como praticam as religiões teológicas, atemorizar as pessoas com o medo do inferno ou procurar despertar-lhes a bondade com o atrativo do céu, ele reconhece na bondade e na maldade funções cerebrais, entende-as existentes no ser humano como dados da natureza e julga socialmente mais justificável e mais desejável estimular-se a bondade de todos para com todos. Por isto, em moral, o Positivismo adota o altruísmo e a fraternidade, considerando que devemos dedicar-nos ao nosso semelhante, e não a deus.





Em política, ao invés de atribuir o poder a certas famílias, às dinastias monárquicas, o Positivismo entende que o poder político provém da própria sociedade, origem da sua atitude anti-monárquica e republicana. Adota com toda a veêmencia o que chama de separação entre o temporal e o espiritual, ou seja, o Estado, os poderes públicos, devem ser laicos, não podem adotar nem favorecer nenhuma religião.





A religião deve pertencer à esfera da consciência de cada indivíduo e jamais entrar na vida do Estado, em nenhuma das suas manifestações. Não pode o Estado proteger nem beneficiar nenhum credo, não pode a rede pública de ensino ensinar religião, não pode a constituição adotar deus no seu preâmbulo, não pode o papel moeda louvar deus, não se pode adotar como feriados nacionais as datas solenes do catolicismo. Tudo isto são atitudes próprias do Estado confessional, que o Positivismo repudia.





Na história do Brasil, a república foi instaurada graças também à influência positivista. Um dos seus primeiros atos consistiu no de instituir a separação entre a igreja e o estado, graças à proposta de um positivista, Demétrio Ribeiro, então ministro da agricultura.





A bandeira nacional, com o dístico positivista Ordem e Progresso, é da autoria de Raimundo Teixeira Mendes, então vice-chefe do positivismo brasileiro.





No Brasil, entre 1880 e 1930, o Positivismo atuou largamente nos meios políticos, educacionais, literários etc., e deu a sua contribuição na formação de uma mentalidade atéia e científica, pacifista e fraternal.





Os positivistas sempre bateram-se pela afirmação dos valores laicos, humanistas e ateístas, como, por exemplo, na polêmica de Lauro Sodré, positivista, depois governador do Pará, com os padres de Belém, polêmica em que ele proclamava francamente o seu ateísmo e a sua adesão à ciência; por influência dos positivistas, no recinto do júri do Rio de Janeiro, cobriu-se com um pano preto o crucifíxo, em atenção a que a justiça, pertencendo ao Estado, não poderia ostentar símbolos religiosos. Por influência positivista, a constituição federal de 1891 foi promulgada em nome da Família, da Pátria e da Humanidade, e não em nome de deus, como as seguintes.





A igreja católica detesta o Positivismo e sempre o combateu. As obras de Augusto Comte foram incluídas no Index e a sua leitura, vedada aos católicos. Augusto Comte considerava arcaísmos obsoletos as religiões teológicas; queria que a educação fosse toda científica; afirmava que deus não era mais necessário em política, em moral, em filosofia e considerava os “escravos de deus” indignos de governar os homens.





O papel do Positivismo na história do pensamento humano consistiu 1) em reconhecer que, assim como há leis naturais no âmbito dos fenômenos matemáticos, físicos, químicos e biológicos, também as há no âmbito dos fenômenos sociais e psicológicos, do que resultou a criação de uma nova ciência, a sociologia, e o lançamento dos primeiros rudimentos de outra, a psicologia, 2) em reconhecer que todos os fenômenos da natureza, sem exceção, acham-se regidos por leis naturais; que o mundo, o homem, a vida, a natureza, podem ser explicados de modo verdadeiro e comprovado, ou seja, científico, e que não resta mais nenhum espaço para nenhuma idéia relacionada com deus, ou seja, de cunho teológico.





O Positivismo proclama que o verdadeiro conhecimento é científico, ou seja, decorrente da observação da realidade, que a atividade desejável é a que promove a paz internacional e o bem estar das pessoas, que o sentimento mais elevado é o da bondade em todas as suas formas. Ele considera a idéia de deus obsoleta, porque superada pelo conhecimento científico; inútil, porque não permite ao homem atuar sobre a natureza, e falsa, porque não se apóia sobre nenhum fato observado. Ele entende que erradicá-la e substituí-la pelas explicações positivas, é atuar no sentido da evolução humana e prestar um autêntico serviço social. A esta atuação e a este serviço correspondem a missão dos livres-pensadores, dos materialistas, dos positivistas, em suma, dos ateus de todos os tipos.





Recomendo “A república positivista”, da minha autoria; “A sociologia de Augusto Comte”, de J. Lacroix e “A desinformação anti-positivista no Brasil”, da minha autoria, também;adquiríveis por www.estantevirtual.com.br .

quarta-feira, 22 de junho de 2011

HOMENAGEM A JULIO DE CASTILHOS

Convidamos Vossa Senhoria para participar da Palestra alusiva
ao nascimento do grande líder gaúcho Júlio Prates de Castilhos.
Tema: "Júlio de Castilhos, o Patriarca do Rio Grande do Sul"
Palestrante: Afranio Capelli - Guardião do Templo Positivista
Local: Templo Positivista
Endereço: Av. João Pessoa, Nº 1058 – Centro Histórico
Data: Domingo - 03/07/2011
Horário: 10h30min
Informações: (51) 96463868 ou positivismors@gmail.com
Obs: Dia 29/06 às 18h estaremos prestando uma homenagem
no Mausoléu de Julio de Castilhos no Cemitério da Santa Casa
de misericórdia, convidamos todos à comparecerem.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

ÚLTIMO TEXTO DO MESTRE MOISÉS WESTPHALEN

A intervenção direta do indivíduo desaparece com a morte, mas a memória dos feitos, opiniões e sentimentos, prolonga a sua existência subjetiva, assegurando o progresso social.
Assim se transmitem atravéz das gerações as conquistas úteis e convergentes, morais, intelectuais e práticas alcançadas no passado e no presente, e se estabelece a continuaidade social.
Este elo subjetivo liga os indivíduos às gerações seguintes e permite conceber a Humanidade com ente supremo, perceptível e eterno, representado pelos seres humanos convergentes, que
constantemente nos melhora, guia e sustenta.
Em qualquer estagio da civilização, a existência humana consiste sempre no estado de plena harmonia social. A solidariedade social funde-se nos laços afetivos das famílias afins ,
sob o princípio da cooperação. Os sentimentos, pensamentos e atos convergentes isntituem a unidade social. O progresso humano corresponde ao aperfeiçoamento de nossa unidade.
Assim, a unidade só pode se conhecida através de um suficiente exercício coletivo. O sentimento é o motor supremo da existência humana. Sob inspirações dos sentimentos desenvolvemos a atividade e a inteligência, que por sua vez provocam reações afetivas, o aperfeiçoamento moral. O amor é assim o princípio e o destino do desenvolvimento humano.
A inteligência deve assessorar a atividade para servir o sentimento.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

SESSÃO SOLENE POSITIVISTA

SESSÃO SOLENE POSITIVISTA
" O Amor por Princípio, a Ordem por Base e o Progresso por Fim "

Convidamos Vossa Senhoria para participar da Sessão Solene do
Templo Positivista de Porto Alegre, alusiva ao natalício do Sociólogo
e idealizador da Doutrina Positivista AUGUSTO COMTE.
Palestra e Debate Sociocrático :
Afrânio Capelli
Guardião do Templo Positivista de Porto Alegre

Local: Templo Positivista de Porto Alegre
Endereço: Av. João Pessoa, Nº 1058 – Centro Histórico
Data: 19/01/2011 (quarta-feira)
Horário: 20:00 hs.

Traga, se puder, um Kg de alimento não perecível para ser doado à
SPAAN (Sociedade Porto-Alegrense de Auxílio aos Necessitados)
Informações: (51) 32263182 / 91121226 ou positivismors@gmail.com